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Diana - A Princesa do Povo: Sara Sarres constrói sua própria Diana entre a memória coletiva e a presença do palco

  • 31 de mar.
  • 2 min de leitura

Nos últimos anos, a figura da princesa Diana voltou a ocupar o imaginário da cultura pop a partir de diferentes releituras no cinema, na televisão e nos documentários. Produções recentes reacenderam o interesse por sua trajetória e ampliaram as formas de olhar para uma personagem que permanece em constante reconstrução.

É nesse contexto que Sara Sarres se aproxima da figura de Diana para vivê-la nos palcos no musical ‘Diana – A Princesa do Povo’, em cartaz no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro, até 26 de abril, antes de seguir para o Teatro Liberdade, em São Paulo, onde estreia em 14 de maio, em um processo que parte menos da reprodução de versões já conhecidas e mais de uma investigação direta sobre quem foi essa mulher.


Ao revisitar esse material contemporâneo, a atriz reconhece sua importância como ponto de partida, mas estabelece um limite claro na forma como conduz sua criação. “Essas produções ajudaram a reabrir o debate sobre quem foi Diana e como a história dela continua sendo reinterpretada. Mas procurei não me prender a uma única leitura”. Em vez disso, o caminho escolhido foi outro, mais próximo de uma observação direta. “O meu processo partiu muito mais de entrevistas, registros históricos e imagens da própria Diana. Quis observar diretamente a presença dela, o ritmo da fala, os silêncios, o modo como escutava as pessoas”.


Esse movimento desloca o foco da representação para a presença. Ao invés de construir a personagem a partir de interpretações anteriores, Sara busca entender o que existe de mais essencial na figura de Diana — algo que, segundo ela, aparece com mais clareza nos registros documentais do que nas dramatizações. O processo também se desenvolve sob a direção de Tadeu Aguiar, que orienta a construção da personagem a partir de uma abordagem centrada na presença e na escuta em cena. “Quando você vê entrevistas e momentos espontâneos, percebe uma presença muito singular: o olhar direto, a escuta atenta, o gesto de se aproximar das pessoas sem distância”.


Ao levar essa investigação para o teatro musical, a atriz encontra uma linguagem que amplia ainda mais essa dimensão. Diferente do cinema ou da televisão, onde a mediação da câmera organiza a percepção do espectador, o palco impõe outra lógica de relação. “O teatro musical tem algo muito particular: ele transforma emoção em presença imediata. No palco, tudo acontece ao vivo, diante do público”. Nesse espaço, a música se torna um elemento central na construção da personagem. “Ela permite acessar dimensões internas que, muitas vezes, seriam difíceis de expressar apenas em diálogo”.


 
 
 

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